9.7.09


difícil dizer se morreu mais um branco ou mais um negro, como diria felipe buitrago.
mas, honestamente, nem gostava dele. só na voz do caetano mesmo...

10.6.09

mesmo fugindo e há mais de 1000 km de casa, as confusões me perseguem. eu estou - nada mais, nada menos - cansada de quilombo na minha vida. quero paz.
do que adianta sair pelo mundo jogando a toalha; fugindo de tudo, das coisas, de outras pessoas, de mim mesma – talvez?!
do que adianta chegar em terras estranhas, enfrentando um frio de 5 graus com umidade de 93%, longe de casa, saudosa de comida caseira, de feijão, de mãe, pai, irmãos, mos meus saltos e do californian coffee, se tudo vira confusão?!
confusão. bagunça. carnaval.

“o meu corpo não quer descansar
não há guarda chuva contra o amor
0 teu perfume quer me envenenar
a minha mente gira como um ventilador...
tanto faz qual é a cor da sua blusa
tanto faz a roupa que você usa
faça calor ou faça frio
é sempre carnaval no brasil”

lyrics by titãs

22.4.09

agora começo a sentir um friozinho na barriga, umas borboletas movimentando no meu estômago e um aperto no fundinho do coração. é estranho, sempre é, mas partir faz parte e pode ser a melhor coisa do mundo.
ontem, quando olhava de uma janela do 26o. andar do maleta os primeiros raios do sol surgindo por trás das montanhas da aldeia iluminada, o hoje me pareceu muito distante. entrar num avião e pisar em suelos argentinos me soavam tão distantes e de repente, cá estou eu, com as malas prontas, casaco pesado em punho, bilhetes de despedida no bolso, um terço na bolsa, um coração no pescoço e alguns colares da mary design acompanhando; tudo isso junto indo em direção a uma nova etapa e inúmeras descobertas que vou encontrar frente.
deixo alguns rastros úmidos para trás e olho pra frente, abrindo o caminho com um certo sorriso. como é bom poder cruzar a fronteira.

11.4.09

abri a janela agora e deixei um vento frio invadir meu quarto, soprar meus cabelos, beijar minhas costas desnudas enquanto escrevo esse post. olho pro céu, que está azul bandeira da argentina, e me lembro que os dias de abril são os que mais gosto. esse mês tem um friozinho não muito tropical e as noites mais lindas e claras, com luas enormes e brilhantes que iluminam nossas montanhas como um refletor.
deixo o friozinho entrar e envolver meu corpo. esse ar gelado me faz arrepiar (mas não o suficiente pra me fazer sair do lugar e pegar um agasalho), e me sobe um quê de prazer sentindo esse frio, respirando esse ar que me gela por dentro, que deixa minhas mãos meio que dormentes e que de alguma forma colabora pra que, nesse momento, meu pensamento voe longe.
olho ao redor e as estantes ainda não foram completamente ocupadas por meus livros, meu quadro de fotos ainda tem seus espaços vazios. vou além e enfrento o vento de frente, espiando pela janela. aguço os sentidos e escuto o riso das crianças do meu prédio. tem um carro passando na rua e o gato da vizinha continua aproveitando a tarde ensolarada sem saber exatamente em que dia da semana estamos.
tudo é tão familiar e tão distante - talvez seja esse o sentimento de quem "não pertence" - e isso, estranhamente, às vezes me soa reconfortante. e libertador.
"so, maybe tomorrow i'll find my way home...".

23.3.09

barulhinho gostoso da chuva caindo lá fora...
fico pensando que esse lance de chuva trazer tristeza é bastante relativo. porque tem dias em que a gente não tá bem, a gente tá meio sem lugar,  e água caindo - até a do chuveiro - pode funcionar como um catalisador de melancolia.
daí cê olha pela janela, vê o céu chorando, as gotas caindo no chão como lágrimas se esvaindo e vem uma onda de tristeza como se tudo fosse o mundo conspirando contra a possibilidade de qualquer chance de alegria, especialmente a sua chance de alegria.
mas daí tem dias em que tudo tá bem de verdade e a chuva vem pra ratificar que, de vez em quando, é necessário tirar a lama, lavar a alma, ficar mais leve para poder seguir viagem sem peso demais pra carregar nas costas.
hoje tô leve feito passarinho.

5.3.09

"pra que mentir? fingir que perdoou?
tentar ficar amigos sem rancor?
a emoção acabou.
que coincidência é o amor: a nossa música nunca mais tocou."


Lyrics by Cazuza

4.3.09

ando impressionada com o tanto de gente perdida nesse mundo louco, em dúvida com relação ao que fazer da vida pessoal, profissional, afetiva... bobear, sem saber o que fazer com a vida toda - meu caso, inclusive.
é gente casada, solteira, comprometida, separada, empregada, desempregada, morador da aldeia e de fora dela... enfim, tá cheio de pessoas confusas sem saber o que querem ou questionando se o que tem é por querer ter, ou querem porque tem que querer alguma coisa pra, pelo menos, prestar contas pro mundo. deu pra entender o raciocínio?
eu acho que todos esses sentimentoss embolados tem a ver com falta de comunicação, exceto de informação, tudo muito rápido, depressa demais, volúvel demais. E também é tanta pressão para tudo dar certo: achar o cara perfeito, morar na casa mais linda, ter o carro do ano, ter o filho mais bacana, ser linda e gostosa, ter o corpo da bündchen, enfim... pressão, pressão, pressão!
eu me via anormal, meio excluída num mundo aparentemente muito certo. mas o fato é que por aí tá repleto de gente incerta, que se sente anormal e excluída com os mesmos sentimentos confusos. somos a maioria. a maioria de gente sem rumo nesse mundo cão. o que por um lado é bom já que não estamos sós - se isso serve de consolo.